Reflexões

As várias versões de mim

março 14, 2017


Dia desses eu tive um sonho em que eu ouvia várias vozes. Algumas falavam aleatoriedades. Algumas eram alegres e cantavam. Algumas gritavam. Algumas eram roucas. Algumas faziam barulhos indecifráveis. Algumas eram inaudíveis pra mim, mas eu não me importava.

Algumas eram bem reais. Como, por exemplo, essa estudante estrangeira aspirante a professora de matemática que era tímida e falava pouco. Ela me disse que queria fazer doutorado e não queria nunca parar de estudar.

Uma voz tremula e desanimada desabafou um pouco. Contou como abandonou vários cursos no meio porque sentia, no fundo, que não era o caminho que lhe faria feliz. Ela passou por momentos de difíceis decisões e disse que se sente frustrada e defasada do seu tempo, acha que está vivendo fora do que seria a ordem natural das coisas.

A voz madura que sabe o que quer, de uma mulher de trinta anos, interrompeu e disse que as frustrações são aprendizagens. Ela me contou que bebe vinho no jantar para controlar o colesterol e café sem açúcar porque descobriu a apreciar sabores mais amargos. Ela entende que toda dor é passageira e que o que fica é o que precisamos aprender. Sabe que todas as dificuldades que está enfrentando agora são para o seu próprio bem e as encara com bastante otimismo e serenidade.

Uma voz adolescente rebelde que estava, até então, apenas curtindo algum rock'n'roll em seus fones de ouvido resolveu falar um pouco sobre sua vontade de ter várias tatuagens. Ela não sabe lidar com tanta injustiça que vê no mundo, fala palavrão, é sentimental pra caralho e ama cerveja. "Cerveja mesmo, não água com milho", diz ela. Ela me disse que chora muito e reclama da vida mais do que deveria. Mas ela tem esperança de um futuro melhor, sabe quais são os seus desejos mais íntimos e não se deixa abalar por qualquer coisa.

Ouvi também uma voz que não fazia muita questão de falar. Ela é bem desapegada de qualquer coisa. Pra ela o que mais importa na vida é o seu bem-estar e a paz de espírito. É estar em harmonia com a natureza. Ela ama fotografia, artes e dança. Sabe que não precisa de muito para ser feliz. O dinheiro e os bens materiais têm pouca ou quase nenhuma importância em sua vida e ela me contou como a simplicidade guarda segredos extraordinários.

Cada uma dessas vozes é uma das várias versões de mim. Todas elas querem ser ouvidas. E eu costumo deixá-las falar apenas quando me convém. Talvez, meio que inconscientemente, eu tente seguir um padrão imposto. Revelo pouco de mim e ignoro que essa seja a forma mais cruel de autossabotagem.

E às vezes eu me questiono: por que justo a mim me coube ser eu? Tem dias em que eu não sei exatamente como lidar comigo mesma. Mas eu penso que, talvez, seja apenas uma questão de vestir estereótipos desnecessários. O que eu preciso, com uma certa urgência, é aprender a me despir.

"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher. Sou minha mãe, minha filha, minha irmã, minha menina. Mas sou minha, só minha, e não de quem quiser..."


Vida

Pra (re)começar

março 12, 2017

Fiz 30 anos no mês passado. E eu tinha todo um plano pra quando esse dia chegasse. Uma lista de coisas que eu "deveria" ter feito antes. Deu tudo errado. E a vida segue porque não da pra apertar o botão de pause até tudo ser do jeitinho que eu quero. Já se passaram cinco meses desde a minha última postagem aqui. Acho que fiquei tanto tempo afastada porque eu não estava fazendo necessariamente o que me agrada. Então, por isso, decidi (meio que) recomeçar o blog. Assim mesmo, sem planejar demais, tropeçando de vez em quando e ajeitando cada pedacinho dele aos poucos. Eu sinto que eu só vou conseguir seguir adiante com isso se for assim. Porque o blog que inicialmente idealizei era um cantinho onde eu pudesse desabafar meu dramas. Contar meus casos. Compartilhar pequenas alegrias e descobertas. Falar da vida, filosofar, refletir. Não era pra ser uma obrigação, ou algo pensado e planejado demais. E eu acabei fazendo justamente o contrário disso. Planejei demais, me cobrei demais e acabei tropeçando nas minhas próprias exigências. Mas a vida é assim, feita de experiências e aprendizagens. O blog é só um reflexo. Tá liberado errar. Tá liberado mudar de ideia. Tá liberado não ter um plano. Dessa vez vou buscar a mágica na incerteza. Vou estar aberta para surpresas, como a espontaneidade nessa foto sugere. Me atirar no desconhecido sem me preparar ou pensar demais. Deixo essa parte para outros setores da minha vida. Aqui é pra ser leve, descontrair, interagir e relaxar. 

ATÉ HOJE FUI SEMPRE FUTURO.

outubro 23, 2016


Quando vi essa frase na saída do metro (é como chamam o metrô por aqui) senti um leve arrepio na espinha. Porque já faz um tempo considerável que venho pensando em escrever sobre isso, sobre como eu vivi a minha vida inteira (e ainda vivo) no futuro.
Porque desde que cheguei em Lisboa (e ainda estou devendo falar sobre isso!) eu ainda não senti aquela felicidade enoooorme que achei que sentiria quando estivesse aqui. E eu digo enoooorme com todos esses "ós" porque, gente, como eu desejei e lutei por esse intercâmbio! E eu consegui, e agora que eu tô aqui eu tô tipo "ok, estou aqui, o que vem depois?". Porra, Erika! Vai curtir! Vai ser feliz! Você sonhou tanto com isso!
E foi então que caiu a ficha: eu vivo no futuro. Por muitas vezes me pego comprando coisas "porque vai ser útil quando eu voltar pro Brasil" ou fazendo ou deixando de fazer coisas aqui em função dos planos que eu tenho pra quando eu voltar. E eu sempre penso coisas do tipo "ah, quando eu voltar, e finalmente me formar eu vou fazer tal viagem, ou comprar, sei lá, uma bicicleta". E antes de vir, eu passei meses fazendo a mesma coisa no Brasil. E antes disso, também. Por mais de vinte anos. E eu sempre acho que "quando eu chegar lá, eu aproveito". Mas quem (onde? quando?) é esse "lá" que nunca se concretiza?
Resumindo, eu dou um duro danado pra conseguir fazer com que um sonho se torne um objetivo alcançável, depois batalho um pouquinho mais para atingir, de fato, esse objetivo. E daí quando eu consigo eu nem sequer comemoro ou me sinto realizada como eu acho que deveria. É como se o dia de hoje não tivesse tanta importância quanto o dia de amanhã. E isso é triste, porque eu acabo perdendo os melhores dias da minha vida.
Tudo bem que tá tudo muito corrido por aqui. O que mais tenho feito (além de estudar, porque é pra isso que vim, afinal) é resolver coisas burocráticas por estar aqui. Não que eu deva me preocupar menos com a parte "chata e cansativa" da vida e viver em festa e foda-se. Há quem consiga conciliar tudo isso e eu tô me vendo no time dos que não conseguem e me sentindo frustrada.
A frase na parede do metro veio muito a calhar porque me fez questionar o que devo fazer pra mudar essa realidade. Fui sempre futuro. Ok. Mas apenas "até hoje", porque a partir de amanhã eu posso (quero e devo) deixar de ser, e começar a viver no presente, e aproveitar cada dia. Aqueles clichês "um dia de cada vez" e "viver o dia de hoje como se fosse o último" nunca serviram tão bem.
Mas veja, como alguém que vive no futuro, eu sou ótima para planejar qualquer coisa. Só que sou péssima em cumprir qualquer plano. E se estou planejando viver mais "hoje", quer dizer que estou planejando passar a ser alguém que cumpre bem os planos e que planeja bem menos. Aí temos um paradoxo.
Enfim, eu vou ter que ser mais forte do que isso, porque cansei de ser assim. E não se engane com meu sorriso na foto, eu estava quase me afogando por dentro na enxurrada de pensamentos que esse momento gerou. Mas sobrevivi. E estou muito bem e grata por estar aqui (em tempo e espaço). Eu só preciso, afinal, de botar os pés no chão, e perceber o quanto a vida pode ser maravilhosa hoje, aqui, agora, e me sentir feliz com tudo o que tem acontecido, em vez de viver imaginando a minha felicidade onde ainda não estou. Porque sério, estou no melhor momento da minha vida inteira e acho que só eu não percebi ainda.

Eu juro que farei posts mais detalhados sobre Portugal, Lisboa e tudo o que anda acontecendo, e voltarei a visitar todos os blogs que amo (e que estou muito em falta). Eu realmente precisava desse tempo longe daqui pra me organizar, mas já estou de volta e cheia de saudades para matar! 

BEDA 2016

O MELHOR DO BEDA

agosto 31, 2016

Participar do BEDA foi uma experiência muito rica pra mim, pois aprendi bastante sobre como eu funciono na pressão, na falta de internet ou de computador, nas viagens, etc. Apesar de ter falhado alguns dias, termino o mês com o sentimento de dever cumprido, pois eu sei que me dediquei ao máximo e dei o meu melhor nesse desafio. Agora estou bem mais motivada a continuar com o blog e a trabalhar em cima das milhões de ideias que venho tendo pra ele.

Mas o que teve de MELHOR foi a interação. O sentimento de "tamo junto" em cada comentário. Foi saber que a dificuldade enfrentada pra conseguir postar algo todo dia não era só sua. E foi saber, principalmente, que não se faz um BEDA sozinho. Afinal, qualquer coisa na vida que a gente queira fazer, junto é sempre melhor, né? Por isso gostaria de agradecer imensamente ao pessoal do projeto Vai um Café? porque sem vocês eu jamais teria chegado até o fim. Obrigada Liley Carla | Blog Since85 | Em Outubro | Pequenos Retalhos | Isabella Cas | Mulher Pequena | Iletrando | Conversa Íntima | Fleur de Lune | Viagens de Apartamento | Divergências Vitais | Carioca do Interior | Nada Sensata | Feito Bailarina | Leuxclair | Brilha La Luna e todos os outros blogs que mesmo não participando estiveram presentes dando aquela força!

Beijo nocês!

BEDA 2016

QUE VIAJAR VIRE ROTINA

agosto 27, 2016

Se foi de tanto desejar, parece que funcionou, porque acho que nunca viajei tanto em um espaço tão curto de tempo na vida. E o que eu penso disso tudo? Que viajar vire rotina! Que não existam distâncias impossíveis de se percorrer. Que o céu não seja o limite. Que voar seja menos apavorante porque, convenhamos, que medo que dá lá em cima. Que a bagagem seja cada vez mais leve pra que eu possa levar cada vez mais daquilo que não pesa. Cada vez mais experiências novas, conquistas, risos, abraços, saudades, encontros e reencontros.
E eu tô viajando novamente. Vim conhecer o nordeste, reencontrar amigos, e me despedir deles antes de ir embora pro outro lado do oceano. E toda essa bagunça de roupas amassadas na mala, falta de rotina, a falta do conforto do meu quarto (que eu taaaanto amo), dormir no colchão, no sofá ou mesmo numa barraca. Tudo isso nunca será demais. Porque por mais cansativo que seja acho que nunca vou me cansar. Amo a calmaria de estar em casa, e eu amo o agito que é estar cada dia num lugar diferente. Vai entender. Quando eu voltar pra Vitória faltarão exatamente 15 dias pra embarcar com destino a Lisboa. Por isso tá tudo meio louco na minha cabeça. Mas eu vou tranquila. Mentira, o coração tá na boca. Mas não importa, continuo aqui com meu mantra... Que viajar vire rotina!



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BEDA 2016

O DIA É DELE

agosto 26, 2016

Meu amor, hoje você alcançou a minha idade. Todo ano agora é isso? Eu mudo minha faixa etária e você vem logo atrás... Sempre seis meses depois. Sincronizado. Queria poder te parar no tempo. E parar o tempo pra nós. Curtir uma versão eterna de você. Mas queria também poder te acelerar e ver você velhinho. Será que vai tá careca? Já tô te vendo aquele velhinho todo ranzinza e reclamando que tô três minutos atrasada pra sair. Te vejo também procurando os seus óculos que estão bem aí, pendurados no seu pescoço. E eu fazendo graça pra te deixar mais bravo ainda hahaha. Mas queria voltar alguns anos, talvez daqui uns dez. Te vejo brincando com nossos sete cachorros enquanto eu te miro de longe com minhas lentes. E me vejo fazendo inveja nas minhas amigas com o jantar que você preparou. Te vejo na melhor versão de você mesmo, porque se tem uma coisa que admiro em você é como você evolui e com o passar do tempo consegue ser cada vez mais um pouco de tudo o que eu mais gosto e admiro em alguém. E voltando no dia de hoje, este é o sexto aniversário seu que tenho a honra de comemorar juntinha de você. E eu só desejo pra gente mais seiscentos aniversários juntos. E se eu usei tanto "você" num texto tão curtinho, a língua portuguesa que me perdoe, mas você merece. E pra você eu desejo o pacote clichê de aniversário completo, com muitos anos de vida, felicidades, sucesso, amor, paz, acrescido de bônus especiais que incluem orelhas, cheiros, dengos, beijos e conchinhas. Eu amo você, André. Feliz dia de aniversário!

Bônus extra especial só pra você entender: que saco ;/




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UM TOUR DIFERENTE PELO MEU QUARTO

agosto 24, 2016


Já que o momento é de despedida e aproveitando que ontem eu falei das coisas que vou ter que me desfazer, resolvi postar um videozinho em time lapse que mostra um pouquinho de como era o meu quarto. Pra quem não sabe, time lapse é uma técnica que mistura fotografia e vídeo. Explicando bem porcamente, trata-se de várias fotos tiradas em sequência e depois colocadas pra "rodar" em vídeo com a velocidade definida por você. Quanto mais fotos em menor espaço de tempo, melhor a qualidade do vídeo. O meu ficou bem tosco porque, além de não ser profissional nem nada e nem ter equipamento que preste (tadinho do meu Nokia 520), eu quis fazer de brincadeira mesmo, nem era intenção postar. Hoje mudei de ideia porque já não tenho mais o quarto desse jeito então o vídeo vai me fazer sempre lembrar dele. Se gostar, dá um joinha (aquelas hahaha) mas se achar muito tosco, por favor, não ria perto de mim! Agradeço. 



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ORGULHOSA DE MIM

agosto 23, 2016

Esse é meu cacto. Em breve não será mais, como quase tudo o que eu tenho (ou tinha). A real intenção dessa foto é mostrar a bagunça que tá no meu quarto nesse exato momento, mas não queria mostrar diretamente, então usei o cacto de cobaia pra desfocar o fundo (mas não repara na qualidade da foto, meu celular é daqueles ruinzinhos). Por isso eu deveria começar na verdade com...
Esse é meu quarto. Em breve não será mais, como quase tudo o que eu tenho (ou tinha). Quase sem móveis, exceto pelo colchão que tô dormindo e um guarda roupas que tá vazio e anunciado pra venda. Arrumar, selecionar, separar, vender, doar, rasgar, jogar fora é tudo o que tenho feito nos últimos três dias. E se você tá se perguntando o que tem de orgulho nisso eu já explico.
Eu andei falando o quanto sou desorganizada e o quanto eu detesto isso. Devo ter falado várias vezes porque essa é uma característica muito forte em mim e tem me incomodado bastante nos últimos tempos. A questão é que vou me mudar (de país!) então preciso reduzir os meus pertences a uma mala de 32kg e outra de 5kg. Claro que algumas coisas eu vou ter que deixar aqui, mas pra não entulhar a casa do namorado, meu objetivo é deixar no máximo umas duas caixas pequenas, além do baixo (é, eu tenho um baixo que não toco faz um tempão), do colchão (que é maravilhoso e eu não quero me desfazer dele) e livros. Sendo assim, tô sendo meio que "obrigada" (entre aspas porque tô adorando isso) a me organizar de tal forma que vai ser como um gatilho pra eu aprender de vez.
Eu já mudei muitas outras vezes, muitas mesmo! Tive uns sete endereços diferentes antes de sair de BH e ir morar numa cidade próxima no interior, onde eu tive dois endereços. Depois vim pra Vitória e aqui me mudei quatro vezes. Nenhuma das mudanças anteriores motivaram a me desapegar de tralhas como agora. Porque é questão de necessidade mesmo. E tem coisas que são difíceis, principalmente presentes por seu valor sentimental, mesmo aquilo não cabendo mais em sua vida. Eu sei que é difícil, mas a gente precisa aprender a valorizar mais os sentimentos e menos as coisas. Aquela velha história, ame as pessoas, use as coisas, e não o contrário.
E hoje eu tô bem orgulhosa de mim pelo tanto de coisas que consegui já me livrar. E essa palavra cai muito bem, porque quanto mais coisas se vão, mais livre eu me sinto. Mas ainda tem uma bagunça aqui pra eu terminar de arrumar, selecionar, rasgar, jogar fora. Depois eu conto qual foi o resultado disso tudo. 
Um beijo procês!



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L'ÂGE D'OR

agosto 21, 2016

Ultimamente todo mundo da minha idade tá casando, formando, mudando, arrumando um puta emprego, tendo bebês e eu tô aqui sem conseguir decidir o que assistir no Netflix. Também tenho sérias dificuldades em decidir o que comer quando a fome aperta. Aí bate a pressão da vida querendo que eu decida logo o que quero "ser quando crescer". Difícil! Mas às vezes gosto de pensar no fato de ser tão indecisa com otimismo. Eu gosto de experimentar tudo. Conhecer, testar, tentar. Tudo bem que algumas coisas se concretizam tarde pra mim. Como esse intercâmbio que arranjei com quase 30 anos. Costumo dizer que estou defasada no tempo em relação às outras pessoas. Porque ainda tô aqui, adolescente e doida. Raramente sinto ter a minha idade real, mas já desisti de fazer disso um big deal faz tempo. Hoje é domingo, é noite e ainda é cedo. E eu estou em casa com dor de cabeça. Sei que posso dormir até a hora que eu quiser amanhã, e isso me conforta. E eu só quero curtir esses momentos "sem preocupação" sabendo que quanto mais o tempo passa, mais perto eu fico de ter tudo o que eu imagino que a Erika adulta terá. E eu vou pirar se souber que pode ser logo. No fundo eu sei que tenho um mini pavor de crescer. E que seja assim, ao menos por enquanto.



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LACUNAS

agosto 20, 2016

Eu escrevo porque não sei falar.
Porque as palavras fogem nos momentos mais decisivos.
Escondem-se em algum canto obscuro do mundo.
Ou perdem-se.
Escrevo versos furtivos.
Rimas insolentes.
Frases que desafinam em cada compasso.
Escrevo, em linhas tortas, canções absurdas.
Uma vontade inquieta e exposta.
Escrevo espaços em branco.
Lacunas.
A vida que me foge aos poucos.
A alma que escorre entre os dedos.
O desejo que se esvai.
Os pensamentos insanos. 
A ausência, o vazio. 
Silêncio.




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